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Sábado, 05 de dezembro de 2020

Coluna

MÚSICA

DOCUMENTÁRIO SOBRE GILBERTO GIL SE BASEIA EM 20 COMPOSIÇÕES DO ARTISTA, ENTRE 1966 E 1983.

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Lula Buarque de Hollanda é um diretor, cineasta, produtor e agora está em foco a vida e na obra de Gilberto Gil, em Antologia vol. 1 que se baseia em 20 músicas do compositor em takes extraídos de programa TV, apresentações do cantor em festivais, shows, clipes e ensaios.
A rigor, o filme Gilberto Gil – Antologia vol. 1 – estreado na 21ª edição do Festival do Rio duas semanas antes da exibição programada pelo Canal Curta! para as 22h40m de 23 de dezembro – resulta comum como produto cinematográfico, inclusive pelo roteiro de Emílio Domingos.
O roteiro está estruturado na disposição em ordem cronológica dos 20 registros (valendo a data da captação da imagem, e não a da criação da música) e dos respectivos comentários de Gil sobre as composições, em imagens atuais captadas sob um único ângulo, em plano bem fechado no rosto do artista
Talvez por pressupor um segundo volume, o filme se encerra de forma abrupta com comentário de Gil sobre a cidade do Rio de Janeiro (RJ) – “Está ao mesmo tempo feio e lindo, como tudo. Tudo é feio, horrível e tudo é belo o tempo todo. É assim” – a pretexto do carioquíssimo samba Aquele abraço, lançado em janeiro de 1969, mas apresentado na Antologia 1 em vibrante versão ao vivo gravada no estádio Maracanãzinho em 1983 durante especial de TV do apresentador Abelardo Barbosa (1917 – 1988), o Chacrinha mencionado na letra do samba.
Contrabalançando a trivialidade estética do filme, o que sustenta e engrandece o documentário é a pesquisa de Antônio Venâncio, garimpeiro de registros raros como o take de Gil ainda bem jovem cantando Viramundo (parceria com José Carlos Capinam) em gravação feita em 1966 para emissora de TV da França.
As informações sobre as procedências dos registros aparecem somente nos créditos finais, opção para dar pretensa informalidade à narrativa. Sob qualquer prisma, nada disso importa quando a deusa música invade a tela. O registro de Lamento sertanejo (Dominguinhos e Gilberto Gil, 1973), captado às margens da Lagoa do Abaeté em Salvador (BA) para TV alemã, é de beleza lancinante.
Se eu quiser falar com Deus – a canção de 1980 que Gil ofereceu a Roberto Carlos e que este não gravou por suposta implicância com os versos “Tenho que comer o pão / Que o diabo amassou”, relatada por Gil no filme – atordoa ao reaparecer em clima de igual potência sensorial.
Gilberto Gil comenta a gênese das músicas reunidas no filme de Lula Buarque de Hollanda — Foto: Arte de Caio Esgario
Se as músicas reiteram a genialidade do compositor criador de obra original, amalgamada com influências tão díspares quanto o baião de Luiz Gonzaga (1912 – 1989), o afoxé dos Filhos de Gandhy, o rock da Inglaterra e o reggae de Bob Marley (1945 – 1981), o violonista se confirma igualmente gênio no manuseio singular dessa máquina de ritmo que, sob as mãos de Gil, o leva ao redor do mundo sem se afastar da Bahia, epicentro da criação do artista.
Não por acaso, a única música cantada no filme pelo Gil de 2019, logo na abertura, é o samba Eu vim da Bahia (1965) em registro que sintonizado com o take de 1968. Gilberto Gil é grande.
A simples disposição em Antologia vol. 1 de músicas como o afoxé pop Toda menina baiana (1979), o rock tropicalista Back in Bahia (1972), a balada Super-homem, a canção (1979), a bucólica Refazenda (1975), a esfuziante Palco (1981) – criada para marcar despedida idealizada pelo cantor, mas nunca concretizada – e a existencialista Aqui e agora (1976) corroboram a imensidão do artista no tempo recortado no filme Antologia vol. 1. 

 

Fonte/Créditos: G1

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