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Os desafios dos motociclistas Eunapolitanos que se exibem fazendo manobras sobre Rodas "Grau".

Por: Emerson Caetano |

Dar o grau’, ou seja, realizar manobras acrobáticas utilizando moto, tem se tornado febre Brasil afora. Apesar de ser considerada infração de trânsito quando realizada em vias públicas, a prática tem atraído milhares de adeptos, seja para assistir e acompanhar outras pessoas fazendo ou realizarem as manobras elas próprias.

Os praticantes encontram no movimento do grau adrenalina, tensão, energia e, uma fonte de alegria. A paixão pelas motos geralmente começa cedo. É o caso de Léo Rocha, Representante Da Família Eunacity, Encantado com as duas rodas, assim que comprou sua primeira moto, com apenas 18 anos, ele passou a tentar aprender o grau, que passou a dominar algumas semanas depois. “É algo que traz muita alegria para os nossos corações, o grau é arte”, defende.

Sim, ele já levou quedas de moto, mas as encara como parte do jogo. “Levo comigo que o grau é arte e cair faz parte”. Segundo a maioria dos pilotos de Grau, o caminho para praticar o esporte foi dos mais comuns: passou das bikes para as motos. “Ficava empinando nas bicicletas e a transição para a moto foi muito natural.

INFRAÇÃO

Enquadrado como direção perigosa se praticado em vias públicas, ‘Dar o grau’ é considerada infração gravíssima de acordo com o Código Brasileiro de Trânsito art. 244, III, e pode render suspensão automática da CNH, uma multa salgada e dores de cabeça com abordagens policiais. Não é raro praticantes lidarem com atuações políciais agressivas.

Segundo um dos pilotos de Grau que não quis se identificar, ele já passou por essa situação. “Se eles só dessem a multa, seria bem mais tranquilo. Mas já tomei murro, chute. Sei de gente que já foi derrubada da moto pelas viaturas”.

LUTA POR ESPAÇO PARA PRÁTICA

Por esse motivo, além de evitar o movimento nas vias, a principal reivindicação dos ‘grauzeiros’ é conseguir um espaço onde possam realizar suas manobras e movimentos sem colocar em risco o trânsito nem outras pessoas. Nas redes sociais, diversos grupos costumam levantar a hashtag #244nãoécrime, em referência ao artigo do código de trânsito.

Para o piloto, ter um porto seguro para a prática do grau é algo fundamental para considerar o futuro do movimento. “A gente só quer um lugar seguro para praticar nosso hobby”, conta.  A queixa é corroborada também pelos membros da Família EunaCity e Aerograu, grupos de motociclistas praticantes do grau que conta com mais de 50 mil seguidores nas redes sociais. Para Leo rocha, é importante alterar a visão das pessoas sobre o movimento. “Boa parte da sociedade nos vê como criminosos, mas não somos. Queremos ser vistos como esportistas”, reivindica.

Ele lembra que começou no grau como uma forma de escape dos problemas cotidianos e desde então nunca mais parou. “Peguei minha motinha, comecei a empinar e desde então sou uma pessoa muito mais feliz. O grau é minha vida”.

Movimento

O grupo organiza eventos onde os ‘grauzeiros’ se encontram em locais afastados para praticar.

Segundo a última estimativa, somente na cidade de Eunápolis, no ano passado, havia mais de 12 mil motocicletas e se não é possível ter uma estimativa de quantos ‘grauzeiros’ há por aqui, dá para ver que os grupos praticantes tem alcançado um grande público simpatizando com o movimento, pra confirmar isso basta ver que o aumento de seguidores das páginas sobre o tema nas redes sociais tem sido relevante, especialmente no Instagram, canal mais usado por eles.

Se a relação com a população têm evoluído nós últimos anos, o contato com o poder público é diferente. Além da agressividade policial nas abordagens, há uma sensação de abandono das demandas dos grauzeiros. "A gente faz abaixo-assinado, levamos até os vereadores, mas a resposta nunca chega"INSPIRAÇÃO, afirma. Até o momento, a maior proximidade tem sido apoio pontual em eventos.

Todos os dias costuma ter mensagens nas redes de pessoas querendo aprender as manobras. Os adeptos creem que a trajetória do grau pode ser parecida com a do skate, outra prática que começou trazendo problemas com a lei e que, 60 anos depois, fez sua estreia em Olimpíadas, em 2021, trazendo medalhas. “É a esperança de todo mundo que pratica o grau hoje".

Fora do Brasil

Lá há o wheeling, surgido nos anos de 1970 nos Estados Unidos e que basicamente é o mesmo ato de fazer manobras sobre uma roda. Lá, conta com status de esporte e tem competições ao redor do mundo.

Prefeitura Municipal de Eunápolis

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