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Dinheiro e poder é capaz de mudar o comportamento e o caráter das pessoas?

Por: Emerson Caetano |

Mesquinho. Avarento. Materialista. Consumista. Egoísta. Superficial. Muita gente acredita que essa lista de terríveis adjetivos é atribuída às pessoas no momento em que elas enriquecem. Elas defendem a ideia de que quanto mais dinheiro uma pessoa acumula na vida, mais distante ela fica da espiritualidade, do bem e do altruísmo. Mas será que isso é verdade?

Você acredita que alguém possa se tornar uma pessoa diferente a partir do momento em que o bolso engorde?

O DINHEIRO NÃO MUDA, MAS POTENCIALIZA 

O consenso entre os especialistas em finanças e em psicologia é o de que o dinheiro, sozinho, não é suficiente para promover alterações expressivas na personalidade ou no caráter de alguém. Isso quer dizer que aquelas pessoas que dizem que o outro mudou depois que passou a obter maiores rendimentos estão equivocadas. O que ocorre, na verdade, é que o dinheiro potencializa os traços da personalidade que já estão no indivíduo, independentemente da sua situação financeira.

Em outras palavras, isso quer dizer que, se você é uma pessoa espiritualizada e caridosa, o dinheiro não vai subir à sua cabeça e te transformar num monstro egoísta. Ao contrário, ele vai te dar maiores possibilidades de ajudar a quem precisa. Em compensação, se você acha que o dinheiro em abundância torna alguém mais acumulador e egoísta, saiba que, na realidade, essas características já estavam na pessoa, antes mesmo de ela enriquecer.

O poder do dinheiro é o de potencializar e de tornar mais evidente aquilo que o indivíduo já é. Se você é um poupador, poupará ainda mais. Se você gasta demais com itens supérfluos, gastará ainda mais com esses artigos. Se você é um grande administrador, que controla as entradas e saídas e ainda sabe investir, enriquecer apenas fará de você um administrador ainda maior.

O poder é capaz de mudar o caráter de uma pessoa?

Falar sobre poder é lidar, de cara, com uma contradição. Da mesma forma que é muito desejada, aponta-se esta força como negativa: seria a “culpada” por ações absurdas de seu detentor. Seja o parente que muda de comportamento após “subir na vida”, o colega que se torna hostil ao ganhar uma promoção ou os políticos e empresários que narram com extrema naturalidade um megaesquema de corrupção capaz de chacoalhar um país inteiro.

Se muitos o querem, é porque reconhecem as vantagens do poder: ele amplia o leque de possibilidades e de oportunidades. Mas as suspeitas sobre o lado negativo também se confirmam: pesquisas recentes indicam que o poder altera o comportamento das pessoas --para o mal, claro, e também para o bem. Há ainda quem descarte a hipótese de uma “transformação”, mas aponte para o reforço de características já existentes --tanto as qualidades como os defeitos.

“A principal razão para essas mudanças está no fato de o poder nos afastar das pessoas e de seus pensamentos, sentimentos e necessidades, fazendo com que os nossos próprios desejos, objetivos e gratificações virem prioridades”As características que ajudam alguém a conquistar o poder --como empatia e inteligência social-- são justamente aquelas que desaparecem quando se chega lá.

O poder não transforma, não muda a moral. Ele tira os freios, alavanca aquilo que já existe. Ninguém vira bandido porque chegou ao poder, a não ser que já tivesse essa propensão

 

Delta

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