Economia

Como a Inovação Frugal pode ajudar na retomada de Bares e Restaurantes

Por: Fonte Mestre em Varejo da FGV |

Setor de alimentação fora do lar foi um dos mais atingidos na pandemia, mas a sua recuperação pode estar em pensar “fora da caixa” Um dos setores econômicos que tem mais sentido a “dor” da pandemia da Covid-19 é o da alimentação fora do lar.

Saindo de promissor e em crescimento no biênio 2018/2019 para a maior crise das últimas décadas. Para se ter uma ideia da situação, a Associação Brasileira de Bares e Restaurantes de São Paulo (Abrasel-SP) declarou que já registrou o fechamento de 50 mil estabelecimentos em todo o estado. Só na cidade de São Paulo esse número chegou a 12 mil.

Mais de um ano de pandemia fez com que muitos se reinventassem, passassem a oferecer delivery e take Away ou criassem soluções inovadoras e diferenciadas como a pizza de R$10, que dentro de limites extremos viu uma oportunidade de crescer. A pizza de R$10 enxergou que pessoas com poder aquisitivo menor podiam ser seus clientes e criou um novo modelo de negócio de forma criativa e ainda gerando trabalho.

Tudo baseando-se na compra de oportunidade, já que a pizza passa na porta do cliente na hora do jantar. As mudanças realizadas se enquadram em um conceito relativamente novo - a Inovação Frugal. A ideia de fazer mais por menos, agir com flexibilidade e criar um ecossistema com a comunidade são alguns dos pilares da Inovação Frugal que podem ser a resposta na retomada para bares e restaurantes.

No caso da Pizza de R$10 as soluções encontradas foram em relação a custos, concentração nas principais funcionalidades e performance e ecossistema frugal, conforme definição de Rosseto (2018) Para baixar o preço todos os ingredientes passaram a ser pesados para evitar desperdício, limitou-se o cardápio a menos sabores e àqueles com a matéria prima mais barata. A forma de fazer o produto chegar ao cliente também mudou, promovendo uma “uberização” na entrega das pizzas e o marketing passou a ser realizado pelo próprio motoboy.

A Mestra em Varejo Laudiana Oliveira foi a responsável por enquadrar esse modelo de negócio no conceito de Inovação Frugal em sua pesquisa realizada em 2020, na Fundação Getúlio Vargas “Este estudo pode propiciar às empresas, principalmente voltadas ao varejo, uma visão de práticas realizadas a fim de servirem como inspiração para identificarem oportunidades no mercado ou melhorias nos seus modelos de negócios atuais, repensarem nas suas ações para reduzirem custos e beneficiar o consumidor final, gerando, assim, um negócio mais sustentável.

”Laudiana acredita que aplicar esse conceito para incentivar a retomada de bares e restaurantes pode ser a solução para gerar fluxo de caixa e consequentemente emprego e renda. “Obviamente, cada negócio tem que descobrir a sua forma de fazer mais por menos.

O estudo de modelos de negócios, a partir da inovação frugal, poderá auxiliar as empresas a repensarem suas práticas para a redução de custos dos seus produtos sem perder na qualidade.” Hoje o setor de alimentos e bebidas representa em torno de 20% dos trabalhadores da indústria de transformação do Brasil.

O alimentício representa 9,6% do total do Produto Interno Bruto (PIB), com receita de R$ 656 bilhões. Segundo a Associação Brasileira das Indústrias da Alimentação (Abia), essa performance o coloca como o 1º maior em valor bruto de produção da indústria de transformação.

Esses números mostram o impacto na nossa economia caso o setor entre em colapso. “Os desafios para o setor de alimentação fora do lar são muitos nos próximos anos, no entanto têm muitos caminhos promissores a seguir.

O que os empresários têm que ter em mente é que será necessário pensar ‘fora da caixa’ e criar soluções novas para sair dessa crise”, afirma Laudiana Oliveira.

Prefeitura Municipal de Eunápolis

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